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04 dezembro 2009

PERDÃO E AUTOPERDÃO

Toda vez em que a culpa não emerge de maneira consciente, são liberados conflitos que a mascaram, levando a inquietações e sofrimentos sem aparente causa.
Todas as criaturas cometem erros de maior ou menor gravidade, alguns dos quais são arquivados no inconsciente, antes mesmo de passarem por uma análise de profundidade em torno dos males produzidos, seja de referência à própria pessoa ou a outrem.
Cedo ou tarde, ressumam de maneira inquietadora, produzindo mal-estar, inquietação, insatisfação pessoal, em caminho de transtorno de conduta.
A culpa é sempre responsável por vários processos neuróticos, e deve ser enfrentada com serenidade e altivez.
Ninguém se pode considerar irretocável enquanto no processo da evolução.
Mesmo aquele que segue retamente o caminho do bem está sujeito a alternância de conduta, tendo em vista os desafios que se apresentam e o estado emocional do momento.
Há períodos em que o bem-estar a tudo enfrenta com alegria e naturalidade, enquanto que, noutras ocasiões, os mesmos incidentes produzem distúrbios e reações imprevisíveis.
Todos podem errar, e isso acontece amiúde, tendo o dever de perdoar- se, não permanecendo no equívoco, ao tempo em que se esforcem para reparar o mal que fizeram.
Muitos males são ao próprio indivíduo feitos, produzindo remorso, vergonha, ressentimento, sem que haja coragem para revivê-los e liberar-se dos seus efeitos danosos.
Uma reflexão em torno da humanidade de que cada qual é possuidor permitir-lhe-á entender que existem razões que o levam a reagir,quando deveria agir, a revidar, quando seria melhor desculpar, a fazer o mal, quando lhe cumpriria fazer o bem...
A terapia moral pelo autoperdão impõe-se como indispensável para a recuperação do equilíbrio emocional e o respeito por si mesmo.
Torna-se essencial, portanto, uma reavaliação da ocorrência, num exame sincero e honesto em torno do acontecimento, diluindo-o racionalmente e predispondo-se a dar-se uma nova oportunidade, de forma que supere a culpa e mantenha- se em estado de paz interior.
O autoperdão é essencial para uma existência emocional tranqüila.
Todos têm o dever de perdoar--se, buscando não reincidir no mesmo compromisso negativo, desamarrando- se dos cipós constringentes do remorso.
Seja qual for a gravidade do ato infeliz, é possível repará-lo quando se está disposto a fazê-lo, recobrando o bom humor e a alegria de viver.
...
Em face do autoperdão, da necessidade de paz interior inadiável, surge o desafio do perdão ao próximo, àquele que se tem transformado em algoz, em adversário contínuo da paz.
Uma postura psicológica ajuda de maneira eficaz e rápida o processo do perdão, que consiste na análise do ato, tendo em vista que o outro, o perseguidor, está enfermo, que ele é infeliz, que a sua peçonha caracteriza-lhe o estado de inferioridade.
Mediante este enfoque surge um sentimento de compaixão que se desenvolve, diminuindo a reação emocional da revolta ou do ódio, ou da necessidade de revide, descendo ao mesmo nível em que ele se encontra.
O célebre cientista norte-americano Booker T. Washington, que sofreu perseguições inomináveis pelo fato de ser negro, e que muito ofereceu à cultura e à Agricultura do seu país, asseverou com nobreza: Não permita que alguém o rebaixe tanto a ponto de você vir a odiá-lo.
Desejava dizer que ninguém deve aceitar a ojeriza de outrem, o seu ódio e o seu desdém a ponto de sintonizar na mesma faixa de inferioridade.
Permanecer acima da ofensa, não deixar-se atingir pela agressão moral constituem o antídoto para o ódio de fácil irrupção.
Sem dúvida, existem os invejosos, que se comprazem em denegrir aquele a quem consideram rival, por não poderem ultrapassá-lo; também enxameiam os odientos, que não se permitem acompanhar a ascensão do próximo, optando por criar-lhes todos os embaraços possíveis; são numerosos os poltrões que detestam os lidadores, porque pensam que os colocam em postura inferior e se movimentam para dificultar-lhes a marcha ascensional; são incontáveis aqueles que perderam o respeito por si mesmos e auto-realizam-se agredindo os lidadores do dever e da ordem, a fim de nivelá-los em sua faixa moral inferior...
Deixa que a compaixão tome os teus sentimentos e envolve-os na lã da misericórdia, quanto gostarias que assim fizessem contigo, caso ainda te detivesses na situação em que eles estagiam.
Perceberás que um sentimento de compreensão, embora não de conivência com o seu erro, tomará conta de ti, impulsionando-te a seguir adiante, sem que te perturbes.
Sob o acicate desses infelizes, aos quais tens o dever de compreender e de perdoar, porque não sabem o que fazem, ignorando que a si mesmos se prejudicam, seguirás confiante e invencível no rumo da montanha do progresso.
Ninguém escapa, na Terra, aos processos de sofrimento infligido por outrem, em face do estágio espiritual em que se vive no Planeta e da população que o habita ainda ser constituída por Espíritos em fases iniciais de crescimento intelecto-moral.
Não te detenhas, porque não encontres compreensão, nem porque os teus passos tenham que enfrentar armadilhas e abismos que saberás vencer, caso não te permitas compartilhar das mesmas atitudes dos maus.
Chegarás ao termo da jornada vitoriosamente, e isso é o que importa.
O eminente sábio da Grécia, Sólon, costumava dizer que nada pior do que o castigo do tempo, referindo-se às ocorrências inesperadas e inevitáveis da sucessão dos dias. Nunca se sabe o que irá acontecer logo mais e como se agirá.
Dessa forma, faze sempre todo o bem, ajuda-te com a compaixão e o amor, alçando-te a paisagens mais nobres do que aquelas por onde deambulas por enquanto.
...
Perdoa-te, portanto, perdoando, também, ao teu próximo, seja qual for o crime que haja cometido contra ti.
O problema será sempre de quem erra, jamais da vítima, que se depura e se enobrece.
Pilatos e Jesus defrontaram-se em níveis morais diferentes.
A astúcia e a soberba num, a sua glória mentirosa e a sua fatuidade desmedida.
A humildade real, a grandeza moral e a sabedoria profunda no outro, que era superior ao biltre representante do poder terreno de César.
Covarde e pusilânime, Pilatos não lhe viu culpa, mas não o liberou, porque estava embriagado de ilusão sensorial, lavando as mãos,em torno da Sua vida, porém, não se liberando da responsabilidade na consciência.
Estóico e consciente Jesus aceitou a imposição arbitrária e infame,deixando-se erguer numa cruz de madeira tosca, a fim de perdoar a todos e amá-los uma vez mais, convidando-os à felicidade.
Perdoa, pois, e autoperdoa-te!
Colaborador: Júnior Carvalho

17 novembro 2009

EDUCAR SENTIMENTOS

Todos os sentimentos partem do espírito, mas existem os bons e os maus. Os sentimentos puros são elevados, criam ambiente de alegria e felicidade e tornam as criaturas valorosas e apreciadas. Os maus sentimentos atestam inferioridade e às vezes são indício de baixa espiritualidade; essas criaturas vivem sempre irritadas, mal-humoradas, criam ambientes infelizes, tétricos.
Uma criatura dotada de bons sentimentos é querida, estimada e respeitada. Alimentar os bons sentimentos é afastar os maus. Portanto, é dever de todas as criaturas, principalmente aquelas que têm filhos a educar, em formação do caráter, nunca criarem um ambiente de infelicidade para os filhos. Estes devem ver o semblante de seus pais sempre desanuviado e nunca os ouvirem pronunciar palavras rancorosas. Quando os pais percebem em seus filhos a inclinação para os maus sentimentos, devem ter o máximo cuidado de corrigi-los, a fim de os fazer desaparecer.
A espiritualidade se demonstra sempre pelos sentimentos que os espíritos irradiam. Todos os espíritos encarnam para resgatar faltas, crimes praticados em encarnações anteriores. Ninguém fica impune. Por isso se diz que deve haver reflexão, para que não sejam praticadas más ações.
Toda criança demonstra os sentimentos que possuía na última encarnação, e não há melhor oportunidade do que a da infância para combater os maus sentimentos, para corrigi-los, a fim de que os espíritos comecem a aproveitar o seu tempo, nesta encarnação.
É de máxima necessidade que os pais tenham cuidado com os seus filhos. Sempre que possam, observem as suas tendências espirituais para ajudá-los ou para corrigi-los a tempo. Ensinar à criança é gravar em mármore; aquilo que na infância ensinardes aos vossos filhos, estará gravado para sempre em seu espírito; não deveis esquecer-vos de que há espíritos dóceis e espíritos rebeldes; para os espíritos dóceis há sempre facilidade de os induzir ao caminho do bem. Os espíritos rebeldes com dificuldade se os guiam para o caminho da virtude e do bem, mas nem por isso devem os pais desanimar. Seu dever é trabalharem para fazer com que eles enveredem para o bom caminho.
A rebeldia do espírito é sempre uma demonstração da necessidade de correção, para ele se espiritualizar. Há quem não acredite na reencarnação do espírito, nem tampouco na evolução espiritual através das encarnações. Entretanto, se quiserem pensar e raciocinar, verificarão que é um fato.
Há espíritos que se recordam de coisas passadas numa existência longínqua e, quando na infância, revelam coisas que fazem meditar aos pais. Há espíritos que em corpo de criança demonstram temperamentos de velhos, de criaturas experimentadas, raciocinando com acerto, tendo por vezes frases de um certo alcance que fazem a admiração dos que os ouvem. São espíritos de fato velhos que desencarnaram há bem pouco tempo, e que têm certas reminiscências da vida passada.
Há, portanto, necessidade de se cuidar carinhosamente da educação desses espíritos, da sua formação moral, pois, da formação do indivíduo depende o seu êxito na vida. Da boa formação espiritual da criança depende o seu futuro. E como todos os pais desejam a felicidade dos seus filhos, é preciso que procurem desde já tudo fazer para que eles sejam felizes no futuro, para que eles sejam fortes, para que eles vençam na vida.
Tenham, pois, o máximo cuidado na educação dos seus filhos, saibam dar-lhes não só o pão, mas também a educação, lembrando-se sempre de que o futuro dos filhos depende da educação, depende dos princípios que os pais lhes puderem dar agora.
Tudo na vida tem a sua explicação racional, e não podemos deixar de fazer sentir que, apesar de pais cuidadosos educarem convenientemente os seus filhos e apesar de muitas vezes possuírem muitos filhos, educando-os todos da mesma forma, há uns que não seguem a mesma rota dos outros; esses são os espíritos rebeldes, aqueles espíritos renitentes a quem dificilmente conselhos e educação dos pais podem produzir efeitos. Mas não devem por isso os pais deixar de cumprir o seu dever, porque não há regra sem exceção e quanto mais cuidado tiverem na formação espiritual dos filhos melhor cumprirão os seus deveres e nunca terão remorsos de haverem guiado inconvenientemente os filhos no caminho da vida
Colaborador: Júnior Madruga

VOCÊ SABIA?

O fantasma de Dante indicou o local.
Como foi recuperada parte do manuscrito de A Divina Comedia. Quando, em 1321, Dante Alighieri morreu, não foi possível encontrar partes do manuscrito de sua obra-prima, A Divina Comédia. Durante meses os seus filhos Jacopo e Piero, revistaram a casa e todos os papeis do pai. Tinham desistido da busca quando Jacopo sonhou que vira o seu pai vestido de branco e inundado de uma luz etérea. Perguntou à visão se o poema fora completado. Dante acenou afirmativamente e mostrou a Jacopo um local secreto no seu antigo quarto. Tendo como testemunha um advogado amigo de Dante, Jacopo dirigiu-se ao local indicado no sonho. Por detrás de um cortinado fixado na parede encontraram um postigo. No interior do esconderijo havia alguns papeis cobertos de bolor. Retiraram-los cuidadosamente, e os limparam com uma escova e coseguiram ler as palavras de Dante. Assim completou "A Divina Comédia". Se não fosse uma visão fatasmagórica surgida num sonho, um dos maiores poemas do Mundo teria provalmente permanecido incompleto". (Fonte - Seleções de Readers Digest)

OS PEQUENOS DA RUA

Nesse pequeno que passa, roto e sujo, pela rua, caminha o futuro. É a criança filha de ninguém, o garoto sem nome além de menino de rua.
Passa o dia entre as avenidas da cidade, as praças e por vezes nos amedronta, quando se aproxima.
Ele não vai à escola e todas as horas observa que se esgotam os momentos da sua infância.
Você atende os seus filhos, tendo para eles todos os cuidados.
Esmera-se em lhes preparar um futuro, selecionando escola, currículo, professores, cursos. Acompanha, preocupado, os apontamentos dos mestres e insiste para que eles estudem, preparando-se profissionalmente para enfrentar o mercado de trabalho.
Você auxilia os seus filhos na escolha da profissão, buscando orientá-los e esclarecê-los, dentro das tendências que apresentam.
Você se mantém zeloso no que diz respeito à violência que seus filhos podem vir a sofrer, providenciando transporte seguro, acompanhantes, orientações.
São seus filhos. Seus tesouros.
Enquanto seus filhos crescem em intelecto e moralidade, aqueloutros, os meninos de rua prosseguem na aprendizagem das ruas, maltratados e carentes.
À semelhança dos seus filhos, eles crescerão, compondo a sociedade do amanhã. A menos que pereçam antes, vítimas da fome, das doenças e do descaso.
Cruzarão seus dias com o de seus rebentos e, por não terem recebido o verniz da educação, as lições da moral e o tesouro do ensino, poderão ser seus agressores, procurando tirar pela força o que acreditam ser seu por direito.
Você se esmera na educação dos seus e acredita ser o suficiente para melhorar o panorama do mundo.
No entanto, não basta. É imprescindível que nos preocupemos com esses outros meninos, rotos e mal cheirosos que enchem as ruas de tristeza.
Com essas crianças que têm apagada, em pleno vigor, sua infância, abafada por trabalhos exaustivos, além de suas forças.
Crianças com chupeta na boca utilizando martelos para quebrar pedras, acocorados por horas, em incômoda posição.
Crianças que deveriam estar nos bancos da escola, nos parques de diversão e que se encontram obrigados a rudes tarefas, por horas sem fim que se somam e eternizam em dias.
Poderiam ser os nossos filhos a lhes tomar o lugar, se a morte nos tivesse arrebatado a vida física e não houvesse quem os abrigasse.
Filhos de Deus, aguardam de nós amparo e proteção. Poderão se tornar homens de bem, tanto quanto desejamos que os nossos filhos se tornem. Poderão ser homens e mulheres produtivos e dignos, ofertando à sociedade o que de melhor possuem, se receberem orientação.
Por hora são simplesmente crianças.
Amanhã, serão os homens bons ou maus, educados ou agressivos, destruidores ou mensageiros da paz, da harmonia, do bem. Você sabia?
Que é dever de todos nós amparar o coração infantil, em todas as direções?
E que orientar a infância, colaborando na recuperação de crianças desajustadas, é medida salutar para a edificação do futuro melhor?
Sem boa semente, não há boa colheita.
Enfim: educar os pequeninos é sublimar a humanidade.
Colaborador: Júnior Madruga.