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21 fevereiro 2009

CARNAVAL

Nenhum espírito equilibrado em face do bom senso, que deve presidir a existência das criaturas, pode fazer apologia da loucura generalizada que adormece as consciências nas festas carnavalescas. É lamentável que na época atual, quando os conhecimentos novos felicitam a mentalidade humana, fornecendo-lhes a chave maravilhosa dos seus elevados destinos, descerrando-lhes as belezas e os objetivos sagrados da Vida, se verifiquem excessos dessa natureza entre as sociedades que se pavoneiam com os títulos da civilização. Enquanto os trabalhos e as dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o caráter e os sentimentos prodigalizando-lhes os benefícios inapreciáveis do progresso espiritual, a licenciosidade desses dias prejudiciais opera, nas almas indecisas e necessitadas do amparo moral dos outros espíritos mais esclarecidos, a revivescência de animalidades que só os longos aprendizados fazem desaparecer. Há nesses momentos de indisciplina sentimental o largo acesso das forças da treva nos corações e às vezes toda uma existência não basta para realizar os reparos precisos de uma hora de insânia e de esquecimento do dever. É estranho que as administrações e elementos de governos colaborem para que se intensifique a longa série de lastimáveis desvios de espíritos fracos, cujo caráter ainda aguarda o toque miraculoso da dor para aprender as grandes verdades da vida. Enquanto há miseráveis que estendem as mãos súplices, cheios de necessidades e de fome, sobram as fartas contribuições para que os salões se enfeitem e se intensifique o olvido de obrigações sagradas por parte das almas cuja evolução depende do cumprimento austero dos deveres sociais e divinos. Ação altamente meritória seria a de empregar todas as verbas consumidas em semelhantes festejos na assistência social aos necessitados de um pão e de um carinho. Ao lado dos mascarados da pseudo-alegria, passam os leprosos, os cegos, as crianças abandonadas, as mães aflitas e sofredoras. Por que protelar essa ação necessária das forças conjuntas dos que se preocupam com os problemas nobres da vida, a fim de que se transforme o supérfluo na migalha abençoada de pão e de carinho que será a esperança dos que choram e sofrem? Que os nossos irmãos espíritas compreendam semelhantes objetivos de nossas despretensiosas opiniões, colaborando conosco, dentro de suas possibilidades, para que possamos reconstituir e reedificar os costumes para o bem de todas as almas. É incontestável que a sociedade pode, com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir superfluidades e luxos nababescos, mas, enquanto houver um mendigo abandonado junto de seu fastígio e de sua grandeza, ela só poderá fornecer com isso um eloqüente atestado de sua miséria moral.
Fonte: Revista Reformador Publicação da FEB 02/1987
Chico Xavier (médium)
Emmanuel (espírito)

Ainda sobre o CARNAVAL

“Atrás do trio elétrico também vai quem já “morreu”...”.
“Atrás do trio elétrico só não vai que já morreu...”. – Caetano Veloso

Ao contrário do que reza o frevo de Caetano Veloso, não são somente os “vivos” que formam a multidão de foliões que se aglomera nas ruas das grandes cidades brasileiras ou de outras plagas onde se comemore o Carnaval. O Espiritismo nos esclarece que estamos o tempo todo em companhia de uma inumerável legião de seres invisíveis, recebendo deles boas e más influências a depender da faixa de sintonia em que nos encontremos. Essa massa de espíritos cresce sobremaneira nos dias de realização de festas pagãs, como é o Carnaval. Nessas ocasiões, como grande parte das pessoas se dá aos exageros de toda sorte, as influências nefastas se intensificam e muitos dos encarnados se deixam dominar por espíritos maléficos, ocasionando os tristes casos de violência criminosa, como os homicídios e suicídios, além dos desvarios sexuais que levam à paternidade e maternidade irresponsáveis. Se antes de compor sua famosa canção o filho de Dona Canô tivesse conhecido o livro “Nas Fronteiras da Loucura”, ditado ao médium Divaldo Pereira Franco pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda, talvez fizesse uma letra diferente e, sensível como o poeta que é, cuidaria de exortar os foliões “pipoca” e aqueles que engrossam os blocos a cada ano contra os excessos de toda ordem. Mas como o tempo é o senhor de todo entendimento, hoje Caetano é um dos muitos artistas que pregam a paz no Carnaval, denunciando, do alto do trio elétrico, as manifestações de violência que consegue flagrar na multidão.
No livro citado, Manoel Philomeno, que quando encarnado desempenhou atividades médicas e espiritistas em Salvador, relata episódios protagonizados pelo venerando Espírito Bezerra de Menezes, na condução de equipes socorristas junto a encarnados em desequilíbrios.
Philomeno registra, dentre outros pontos de relevante interesse, o encontro com um certo sambista desencarnado, o qual não é difícil identificar como Noel Rosa, o poeta do bairro boêmio de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, muito a propósito, integrava uma dessas equipes socorristas encarregadas de prestar atendimento espiritual durante os dias de Carnaval. Interessado em colher informações para a aprendizagem própria (e nossa também!), Philomeno inquiriu Noel sobre como este conciliava sua anterior condição de “sambista vinculado às ações do Carnaval com a atual, longe do bulício festivo, em trabalhos de socorro ao próximo”. Com tranqüilidade, o autor de “Camisa listrada” respondeu que em suas canções traduzia as dores e aspirações do povo, relatando os dramas, angústias e tragédias amorosas do submundo carioca, mas compreendeu seu fracasso ao desencarnar, despertando “sob maior soma de amarguras, com fortes vinculações aos ambientes sórdidos, pelos quais transitara em largas aflições”.
No entanto, a obra musical de Noel Rosa cativara tantos corações que os bons sentimentos despertados nas pessoas atuaram em seu favor no plano espiritual; “Embora eu não fosse um herói, nem mesmo um homem que se desincumbira corretamente do dever, minha memória gerou simpatias e a mensagem das musicas provocou amizades, graças a cujo recurso fui alcançado pela Misericórdia Divina, que me recambiou para outros sítios de tratamento e renovação, onde despertei para realidades novas”. Como acontece com todo espírito calceta que por fim se rende aos imperativos das sábias leis, Noel conseguiu, pois, descobrir “que é sempre tempo de recomeçar e de agir” e assim ele iniciou a composição de novos sambas, “ao compasso do bem, com as melodias da esperança e os ritmos da paz, numa Vila de amor infinito...”.
Entre os anos 60 e 70, Noel Rosa integrava a plêiade de espíritos que ditaram ao médium, jornalista e escritor espírita Jorge Rizzini a série de composições que resultou em dois discos e apresentações em festivais de músicas mediúnicas em São Paulo. O entendimento do Poeta da Vila quanto às ebulições momescas, é claro, também mudou: “O Carnaval para mim, é passado de dor e a caridade, hoje, é-me festa de todo, dia, qual primavera que surge após inverno demorado, sombrio”.

“A carne nada vale”. O Carnaval, conforme os conceitos de Bezerra de Menezes, é festa que ainda guarda vestígios da barbárie e do primitivismo que ainda reina entre os encarnados, marcado pelas paixões do prazer violento. Como nosso imperativo maior é a Lei de Evolução, um dia tudo isso, todas essas manifestações ruidosas que marcam nosso estágio de inferioridade desaparecerão da Terra. Em seu lugar, então, predominarão a alegria pura, a jovialidade, a satisfação, o júbilo real, com o homem despertando para a beleza e a arte, sem agressão nem promiscuidade. A folia em que pontifica o Rei Momo já foi um dia a comemoração dos povos guerreiros, festejando vitórias; foi reverência coletiva ao deus Dionísio, na Grécia clássica, quando a festa se chamava bacanalia; na velha Roma dos césares, fortemente marcada pelo aspecto pagão, chamou-se saturnalia e nessas ocasiões se imolava uma vítima humana.
Na Idade Média, entretanto, é que a festividade adquiriu o conceito que hoje apresenta, o de uma vez por ano é lícito enlouquecer, em homenagem aos falsos deuses do vinho, das orgias, dos desvarios e dos excessos, em suma.
Bezerra cita os estudiosos do comportamento e da psique da atualidade, “sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que a carne nada vale, cuja primeira silaba de cada palavra compõe o verbete carnaval”. Assim, em três ou mais dias de verdadeira loucura, as pessoas desavisadas, se entregam ao descompromisso, exagerando nas atitudes, ao compasso de sons febris e vapores alucinantes. Está no materialismo, que vê o corpo, a matéria, como inicio e fim em si mesmo, a causa de tal desregramento. Esse comportamento afeta inclusive aqueles que se dizem religiosos, mas não têm, em verdade, a necessária compreensão da vida espiritual, deixando-se também enlouquecer uma vez por ano.
Processo de loucura e obsessão. As pessoas que se animam para a festa carnavalesca e fazem preparativos organizando fantasias e demais apetrechos para o que consideram um simples e sadio aproveitamento das alegrias e dos prazeres da vida, não imaginam que, muitas vezes, estão sendo inspiradas por entidades vinculadas às sombras. Tais espíritos, como informa Manoel Philomeno, buscam vitimas em potencial “para alijá-las do equilíbrio, dando inicio a processos nefandos de obsessões demoradas”. Isso acontece tanto com aqueles que se afinizam com os seres perturbadores, adotando comportamento vicioso, quanto com criaturas cujas atitudes as identificam como pessoas respeitáveis, embora sujeitas às tentações que os prazeres mundanos representam, por também acreditarem que seja lícito enlouquecer uma vez por ano.
Esse processo sutil de aliciamento esclarece o autor espiritual, dá-se durante o sono, quando os encarnados, desprendidos parcialmente do corpo físico, fazem incursões às regiões de baixo teor vibratório, próprias das entidades vinculadas às tramas de desespero e loucura. Os homens que assim procedem não o fazem simplesmente atendendo aos apelos magnéticos que atrai os espíritos desequilibrados e desses seres, mas porque a eles se ligam pelo pensamento, “em razão das preferências que acolhem e dos prazeres que se facultam no mundo íntimo”. Ou seja, as tendências de cada um, e a correspondente impotência ou apatia em vencê-las, são o imã que atrai os espíritos desequilibrados e fomentadores do desequilíbrio, o qual, em suma, não existiria se os homens se mantivessem no firme propósito de educar as paixões instintivas que os animalizam.
Há dois mil anos. Tal situação não difere muito dos episódios de possessão demoníaca aos quais o Mestre Jesus era chamado a atender, promovendo as curas “milagrosas” de que se ocupam os evangelhos. Atualmente, temos, graças ao Espiritismo, a explicação das causas e conseqüências desses fatos, desde que Allan Kardec fora convocado à tarefa de codificar a Doutrina dos Espíritos. Conforme configurado na primeira obra da Codificação – O Livro dos Espíritos -, estamos, na Terra, quase que sob a direção das entidades invisíveis: “Os espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?”, pergunta o Codificador, para ser informado de que “a esse respeito sua (dos espíritos) influência é maior do que credes porque, freqüentemente, são eles que vos dirigem”. Pode parecer assustador, ainda mais que se se tem os espíritos ainda inferiorizados à conta de demônios.
Mas, do mesmo modo como somos facilmente dominados pelos maus espíritos, quando, como já dito, sintonizamos na mesma freqüência de pensamento, também obtemos, pelo mesmo processo, o concurso dos bons, aqueles que agem a nosso favor em nome de Jesus. Basta, para tanto, estarmos predispostos a suas orientações, atentos ao aviso de “orar e vigiar” que o Cristo nos deu há dois mil anos, através do cultivo de atitudes salutares, como a prece e a praticada caridade desinteressada. Esta última é a característica de espíritos como Bezerra de Menezes, que em sua última encarnação fora alcunhado de “o médico dos pobres” e hoje é reverenciado no meio espírita como “o apostolo da caridade no Brasil”.
Fonte: Revista O Reformador

21 dezembro 2008

Natal é Paz na Terra

Paz na terra, entre todos os homens de boa vontade.
Paz àquele que anseia crescer, evoluir, entender.
Paz àquele que deseja em cada pensamento, em cada atitude, se melhorar.
Paz àquele que mergulha, dentro do próprio ser, a busca de entendimento, de aceitação.
Paz àquele que estende a mão a procura de bênçãos.
Paz àquele que abençoa com alegria e pureza de coração.
Paz àquele que em um sorriso traz calma, tranqüilidade, equilíbrio.
Paz àquele que procura ensinamentos e que através do pensamento, neste momento único em que todos os homens se irmanam, ao dobrar dos sinos, esteja em oração.
Paz àqueles que abrem seus corações em luzes puras, amorosas, magneticamente salutares, que envolvem a terra e permitem, neste raro momento, que ela brilhe, suspensa no espaço, girando em tons azuis, iluminando todo o infinito, abrandando aflitos...
Paz enfim Senhor, a todos os seres que habitam este universo e que rimam amor e dor...
Que a luz se faça e que refaça em todos os homens a fé renovadora,a força e a coragem, a inteligência, a razão.
Que os homens se irmanem na escalada da perfeição.
Que se unam em pensamento todos os de boa vontade.
E que nesta noite busquem a Paz.
FELIZ NATAL!!!

12 agosto 2008

BREVE HISTÓRICO DO ESPIRITISMO







Natureza e Finalidade da Doutrina Espírita



O Espiritismo é a ciência que trata da origem, natureza e destino dos espíritos e sua relação com o mundo material. Revelado pelos espíritos, tem origem transcendente e divina.

Os conceitos e ensinamentos filosóficos decorrentes dos fatos científicos das manifestações de além túmulo têm consequências morais, levando a criatura a uma religiosidade íntima e exterior. Tais proposições ético-comportamentais e conceitos filosófico-morais, condiciona a criatura ao entendimento de onde vem, para onde vai, porque se encontra na Terra e qual as razões da dor e do sofrimento.
Equacionadas e resolvidas as questões capitais, a consolação refrigera a alma e aponta o rumo da felicidade.
O Consolador Prometido
Jesus, o divino poeta do amor e do bem, em o evangelho de João, capítulo 14, versículos 15 a 17 e 26 diz: "Se me amais, guardai os meus mandamentos; e eu rogarei a meu Pai e ele vos enviará outro consolador, o paráclito para que fique convosco eternamente. O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque o não vê e absolutamente o não conhece. Mas quanto a vós conhecê-lo-eis, porque ficará convosco e estará em vós. Porém, o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito".
O Espiritismo, como a terceira revelação de Deus à Humanidade, vem concluir a tarefa iniciada com Moisés e elaborada por Jesus. Diversos conceitos que não poderiam ser apresentados então, o foram dezoito séculos depois, relembrando todo o edifício cristão esquecido ou deturpado pelos interesses humanos.
Hippollyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec)
Nasceu no dia 3 de outubro de 1804 na cidade de Lyon, França às 19 horas, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail e Jeanne Duhamel.
No ano de 1814 foi matriculado na escola de João Henrique Pestalozzi, na cidade de Yverdum, Suíça. Pestalozzi é considerado o pai da pedagogia moderna, influenciado pelas idéias de Jean Jacques Rousseou, filósofo e escritor suíço.
Em 1823 o jovem Rivail então com 18 anos já residia em Paris, onde começou seu trabalho como pedagogo, escritor, tradutor e livre pensador.
Logo, suas produções pedagógicas sobressaíram-se e seu nome foi conhecido em todo o país.
Associou-se à Sociedade de Magnetismo de Paris, onde se estudavam as teorias e máximas sobre o magnetismo animal ou mesmerismo, de Franz Anton Mesmer, médico austríaco.
Casou em 1831 com a professora Amélie Gabriele Boudet, miniaturista e pintora.
A partir de 1854 começou a ouvir sobre os fenômenos das mesas girantes, às quais, em 1855 presenciou atenciosamente.
Breve histórico do Espiritismo.
No ano de 1848, dia 31 de março, precisamente, na cidade de Hydesville, no condado de Wayne, estado de Nova York, EUA, na casa da família FOX, ouviram-se batidas e sons vindos da essência mesma dos móveis e paredes. A certa altura, uma das filhas do casal pediu, inadvertidamente, que os sons seguissem o ritmo que ela imprimia a algumas batidas com a mão ao móvel, ao que seguiu-se o mesmo ritmo e número.
Logo, logo, estabeleceram um código, com o qual, as batidas responderam a inúmeras perguntas que lhe foram feitas pelas mais de trezentas pessoas da vizinhança que foram chamadas para testemunhar o fato.
A partir daí, onde as meninas Fox iam, os fenômenos as acompanhavam. As comunicações de além túmulo, portanto, deram início por iniciativa exclusiva dos próprios espíritos, foram eles quem evocaram os homens.
Verificou-se que a peculiaridade perceptiva ou sensorial das filhas do casal americano, outras pessoas também possuiam e, com isso, alastrou-se como que epidemicamente pela América do Norte nos saraus onde as pessoas reuniam-se, desde a aristocracia até a plebe, para conversar com os "mortos" ou as almas dos homens que haviam vivido na terra, denominados aqueles fenômenos como a dança das mesas.
No início da década de 50 do século XIX, os fenômenos foram exportados para o velho mundo.
Havia em Paris, um eminente pedagogo e poliglota, escritor e estudioso do magnetismo de F. A Mesmer, de nome HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL, nascido a 03/10/1804 e que desde jovem, saído da escola do pai da pedagogia moderna na Suiça, J. H. Pestalozzi, fez parte do cenário cultural e intelectual Francês, influenciando no estudo da língua e nas técnicas de ensino.
Como os fenômenos das mesas fossem uma praga, alguns de seus amigos disseram-lhe, em fins de 1854, que não só movimentavam-se os objetos, mas estes respondiam a questões inteligentes. O professor Rivail, bom senso puro, disse não poder acreditar, porque os móveis não tinham cérebro para raciocinar, o movimento, até poderia aceitar, por estar na ordem do magnetismo e da física, contudo não poderia admitir as respostas intelectuais.
Em meados de 1855 seus amigos instaram de tal forma que presenciasse uma das sessões semanais que não pôde furtar-se, indo participar de uma em maio desse mesmo ano.
Durante a sessão, o pedagogo francês verificou que, por trás de todo o excepcional que a mística humana cria, havia algo maior, superior e com finalidades progressistas.
A partir daí o professor Rivail tornou-se assíduo participante, colhendo anotações e catalogando as perguntas e respostas obtidas, de tal forma que seguissem uma ordem de idéias e uma sucessão de conclusões progressivas.
No ano de 1856, mês de junho, o professor obteve uma comunicação particular - aqui havia-se aperfeiçoado o método das comunicações para serem mais rápidas e objetivas - de um espírito que dizia ter vivido com ele vários séculos atrás, ali mesmo nas antigas Gálias, sendo eles druidas. Na ocasião o nome que utilizava era Allan Kardec.
Assim, no ano de 1857, dia 18 de abril, às 10h apareceu na livraria DENTU, no Palácio Real, um livro chamado O Livro dos Espíritos, assinado por um desconhecido Allan Kardec. O prof. Rivial utilizou o pseudônimo para não influenciar a aceitação do conteúdo pelo autor que o consignava. Assim iniciou-se o Espiritismo, palavra nova criada pelo codificador Allan Kardec para designar a nova ordem de idéias.
A influência do Espiritismo sobre a sociedade é passiva, apresentando uma proposta sadia e otimista de viver e agir.
A Doutrina Espírita está estabelecida sobre os princípios básicos:
· crença em Deus;
· na imortalidade da alma;
· na pluralidade dos mundos habitados;
· na reencarnação;
· na comunicabilidade dos espíritos.

Os livros básicos do Espiritismo são:
O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Editado em abril de 1857, contém a filosofia espírita, com 1019 perguntas formuladas por Allan Kardec aos nobres espíritos desencarnados, como São Luiz, São Vicente de Paulo, Erasto, o Espírito da Verdade entre outros. As respostas obtidas sobre assuntos dos mais variados, quais sejam: afeições que certos espíritos votam a algumas pessoas(484); encarnação em diferentes mundos(172); direito de propriedade, roubo(880); que é Deus?(1)... É fundamental o conhecimento desta obra a todos os que queiram aprofundar-se no estudo do ESPIRITISMO.
O LIVRO DOS MÉDIUNS
Esta obra, lançada em janeiro de 1861, trata da ciência Espírita, a parte prática da doutrina, o contacto com o mundo invisível, subjetivo, imaterial. É um tratado da fenomenologia mediúnica com sérias advertências e estudos acerca do intercâmbio com os "mortos". Ninguém que queira exercer a mediunidade, pode eximir-se de conhecer tal livro, sob pena de mau direcionar suas possibilidades mediúnicas ou paranormais. Aborda a formação de médiuns; a obsessão; o laboratório do mundo invisível; as aparições; das sociedades espíritas...
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Lançado em abril de 1864, estuda as máximas de Jesus, em todos os seus temas, desdobrado por inúmeras mensagens espirituais comentando a excelência do pensamento, da vida e dos atos do Filho de Deus. O ensino moral, enfocado especialmente, consola e faculta paz a quantos lhe compulsam as páginas iluminadas. As bem-aventuranças, as parábolas, as promessas e as revelações, todas são comentadas à luz da Revelação Espírita. Acende nova luz na religiosidade dos corações ansiosos por identificar-se com o Mestre e vivê-lo diariamente.
O CÉU E O INFERNO
Datado o seu lançamento de Agosto de 1865, realiza o exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal para a vida espiritual, as penalidades e recompensas futuras, os anjos e demônios, as penas, etc... O céu, o inferno, o purgatório, são estudados racionalmente, levando a conclusões claras e precisas da justiça de Deus. Contém ainda, em sua segunda parte, uma coletânea de mensagens de além túmulo, exemplificando as diversas categorias de espíritos e seus estados após a morte física. Merece acurada leitura, senão estudo, com o objetivo de aclarar inúmeras questões seculares acerca de assuntos tão controvertidos como os demônios e o inferno.
A GÊNESE
Publicado em janeiro de 1868, compreende um estudo profundo da GÊNESE, dos "milagres" e das "predições", sob a luz do conhecimento espírita e as leis que revela. Aborda temas como: os seis dias; sucessão dos mundos; cataclismos futuros; raça adâmica; perda do paraíso; etc. Dos milagres trata: A filha de Jairo; o Cego de nascença; a Estrela dos Magos; o Beijo de Judas; transfigurações... Os que desejem esclarecer-se, devem dedicar-se à sua leitura, buscando a clareza das conclusões do codificador sob a orientação dos nobres espíritos do bem.