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08 dezembro 2012

Natal de Amor

Jesus transcende tudo quanto a Humanidade jamais conheceu e estudou.
Personalidade singular, tem sido objeto de aprofundadas pesquisas através dos tempos, permanecendo, no entanto, muito ignorado.
Amado por uns e detestado por outros, conseguiu cindir o pensamento histórico, estabelecendo parâmetros de felicidade dantes jamais sonhada, que passaram a constituir metas desafiadoras para centenas de milhões de vidas.
Podendo ter disputado honrarias e destaques na comunidade do Seu tempo, elegeu uma gruta obscura para iluminá-Ia com o Seu berço de palha e uma cruz hedionda para despedir-se do convívio com as criaturas em Sua breve existência, na qual alterou totalmente as paisagens culturais do planeta.
Vivendo pobremente, em uma cidade sem qualquer significado social ou econômico, demonstrou que a inteligência e a sabedoria promanam do Espírito e não dos fatores hereditários, ambientais, educacionais, que podem contribuir para o seu desdobramento, nunca porém, para a sua gênese.
Movimentando-se entre multidões sequiosas de orientação, numa época de inconcebíveis preconceitos de todo gênero, elegeu sempre os indivíduos mais detestados, combatidos, perseguidos, excluídos, sem que abandonasse aqueles que se encontravam em patamares mais elevados na ribalta dos valores terrestres.
Portador de incomum conhecimento da vida e das necessidades humanas, falava pouco, de forma que todos lhe apreendessem os ensinamentos e os incorporassem ao cotidiano, sem preocupar-se com os formalismos existentes.
Utilizando-se de linguagem simples e de formosas imagens que eram parte do dia-a-dia de todas as criaturas, compôs incomparáveis sinfonias ricas de esperanças e de bênçãos que prosseguem embalando o pensamento após quase dois mil anos desde quando foram apresentadas.
Nunca se permitiu uma conduta verbal e outra comportamental diferenciadas. Todos os Seus ditos encontram-se confirmados pelos Seus feitos.
Compartilhando da companhia dos párias, não se fez miserável; atendendo aos revoltados, nunca se permitiu rebelião; participando das dores gerais, manteve-se em saudável bem-estar que a todos contagiava.
Jovial e alegre, cantava os Seus hinos à vida e a Deus, sem nunca extravasar em gritaria, descompasso moral ou vulgaridade de conduta.
Amando, sem cessar, preservou o respeito por todos os seres vivos, especialmente dignificando a mulher, que sempre foi exprobrada, incompreendida, explorada, perseguida, humilhada...
Ergueu os combalidos, sem maldizer aqueles que os abandonavam.
Socorreu os infelizes, jamais condenando os responsáveis pelas misérias sociais e econômicas do Seu tempo.
... E mesmo quando abandonado, escarnecido, julgado e condenado sem culpa, manteve a dignidade incomparável que Lhe assinalava a existência, não repartindo com ninguém Suas dores e o holocausto a que se submeteu.
                                                        *
Jesus é mais do que um símbolo para a Humanidade de todos os tempos.
Mudaram as paisagens sociais e culturais no transcurso dos séculos, enquanto os indivíduos da atualidade continuam mais ou menos semelhantes àqueles do Seu tempo.
A dor prossegue jugulando ao seu eito as vidas que estorcegam em sua crueza; o orgulho enceguece vidas; o egoísmo predomina nos relacionamentos e interesses sociais; a violência dilacera as esperanças; o crime campeia à solta, e o ser humano parece descoroçoado, sem rumo.
Doutrinas salvacionistas surgem e desaparecem, propostas revolucionárias são apresentadas cada dia e sucumbem sob os camartelos dos desequilíbrios, filosofias multiplicam-se e generaliza-se a loucura dizimando as vidas que Ihes tombam nas armadilhas soezes...
Jesus, no entanto, permanece o mesmo, aguardando aqueles que O queiram seguir.
Uns adulteraram-Lhe as palavras, outros tentam atualizá-lO, mesclando Sua austeridade com a insensatez que vige em toda parte, procurando assim confundir a Sua alegria com a alucinação dos sentidos exaltados pelo sexo em desalinho, e, não obstante, nada macula Suas lições, nem diminui de intensidade a Sua proposta libertadora.
Educador por excelência, despertava o interesse dos Seus ouvintes, mantendo diálogos repassados de incomum habilidade psicológica, de forma a penetrar no âmago dos problemas existenciais, sem permitir-se reproche ou desdém.
Psicoterapeuta excepcional, identificava os conflitos sem que se fizesse necessária a verbalização por parte do enfermo, auxiliando-o a dignificar-se e liberar-se da injunção perturbadora em clima de verdadeira fraternidade.
Os poucos anos do Seu ministério, todavia, assinalaram a História com luzes que jamais se apagarão e continuarão apontando rumos para o futuro.
                                                        *
Por tudo isso, o Natal de Jesus é sempre renovador convite a uma releitura da Sua mensagem, a novas reflexões em torno das Suas palavras de luz, à revivescência dos Seus projetos de amor para com a Humanidade.
A alegria que deve dominar aqueles que O amam, evocando o Seu berço, ao invés de ser estrídula e agitada, há de espraiar-se como contribuição para diminuir as aflições e modificar as estruturas carcomidas da sociedade atual, trabalhando-as de forma a propiciar felicidade, oportunidade de trabalho, de dignificação, de saúde e de educação para todas as pessoas.
Distende, portanto, em homenagem ao Seu nascimento, a tua quota de amor a todos quantos te busquem, de forma que eles compreendam a qualidade e o elevado padrão do teu relacionamento espiritual com Ele, interessando-se também por vincular-se a esse Amigo de todas as horas.
Não desperdices a oportunidade de demonstrar que o Natal de Jesus é permanente compromisso de amor entre os Céus e a Terra através dEle, que se fez a ponte entre os homens e Deus, e que continua, vigilante e amigo, pronto para ajudar e conduzir todos aqueles que desejem a plenitude.
 
Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Cânticos das bem-aventuranças – Os perseguidos

E os lábios proféticos do Mestre anunciam:
Bem-aventurados serão todos os que sofrem perseguição por causa da Justiça porque deles é o Reino dos Céus.
O anúncio dos tempos difíceis de rejeição às alvíssaras evangélicas coroa o excelso cântico das bem-aventuranças.  Será assim ao longo dos séculos futuros. O passado que resiste ao desaparecimento empenha-se em luta mortal contra o futuro revelado. E ai de quem se apresentar como revelador.  Que o digam os visionários da superconsciência, os  hereges da santificação, os profetas de um mais espiritualizado arranjo social. Conhecerão todo tipo de obstáculo na semeadura e dificilmente estarão presentes para a colheita na mesma veste corporal.
Contra seus ideais unir-se-ão até mesmo inimigos entre si, que porão de lado suas divergências, para juntos eliminarem a ameaça nascente. Titubearão os amigos nos momentos mais decisivos da empreitada em fé vacilante que só o tempo sedimentará. E a dúvida, consumidora de preciosas energias criativas, permeará o imo da alma do revelador, de vez em quando,  reduzindo seu  ímpeto criativo. O aplauso das multidões só aparecerá quando  saciados seus desejos e atendidas suas carências. Ainda assim  modificarão seu juízo de valor ao menor risco ou promessa imediatista que lhe interesse.
Mas a força de um ideal que desce dos altiplanos da superconsciência para a planície da consciência normal, ainda envolta em querelas evolutivas cotidianas, sustenta o solitário construtor do futuro que mesmo sem ser plenamente compreendido pelos próprios seguidores deslumbra-os com sua presença, os ditos e os fatos que o cercam, e os atrai por uma conexão íntima, sintonia de alma para alma, que transcende todas as percepções sensoriais. E mesmo o povo em sua sutil inteligência de massa advinha, pressente algo que o magnetiza e alimenta.
Quando tais fenômenos chegam ao conhecimento dos dominantes, que por sua própria condição, se sentem em permanente vigília, atentos a qualquer novidade que lhes retire o poder, eles enxergam além dos fatos e identificam o perigo que deve ser exterminado. E com suas concepções e armas atacam o que lhes parece o risco intangível de destruição dos seus tesouros.
Que pode fazer o desvelador dos mundos incognoscíveis senão cumprir a sua missão? Está a serviço de um ideal tornando-o progressivamente realidade. Sabe de sua tarefa atendendo a um apelo íntimo, voz da consciência profunda, reflexo da presença divina no âmago do ser. defesa é o próprio trabalho já que não dispõe de tempo para combater a desídia, anular a calúnia, revidar os ataques à honra.
E o séquito dos legítimos profitentes, menos aptos que o seu mestre, segue seus passos na alegria natural de quem se faz partícipe de uma descoberta. Nada mais euforizante do que encontrar uma revelação, descobrir a solução para um magno problema, penetrar num reino de insuspeitadas harmonias, e daí partir para a anunciação como novos Arquimedes a bradar pelas ruas: Eureca.
Logo, logo, o brado despertará os descrentes, os aproveitadores, os mentirosos, sempre de plantão para semearem a injúria, a calúnia, a dúvida, ou mesmo montarem armadilhas para desmascarar uma suposta impostura. E quando não conseguem amedrontar o arauto do novo conhecimento vestem-se da aparente sabedoria das leis vigentes, usualmente criadas para referendar  os costumes  e as elites de uma época, e proclamam fora lei a novidade e o seu apresentador. E mesmo sem achar qualquer culpa real perante seus códigos, ainda assim forjam provas, aproveitam-se de depoimentos dúbios, compram consciências e tentam destrui-lo onde lhes parece conveniente, eliminando da convivência social ou conspurcando a sua honra.
O revelador, entretanto, imbuído da verdade de sua experiência, que nenhum ataque do mundo exterior pode abalar, prossegue. Sua defesa é o trabalho, o dever cumprido, a impassibilidade no confronto com os algozes. No afã de estender seu ideal, ocupado, não disponibiliza tempo para se confrontar com a malquerença, rebater a calúnia, convencer as vozes dissonantes. Sua vida abnegada , sua conduta no lidar com os problemas cotidianos falam com mais força de convencimento que os discursos. Mesmo contrariando o vozerio comum, e dele recebendo seus apupos, mantém firmeza de propósito no cumprimento imperioso de um dever que nasce do contato com a revelação.
As inexoráveis leis da evolução, entretanto, protegem-no na medida do necessário para o exercício da sua missão, pois ele não fala e vive para si, mas para ânsia da vida em seus processos de ascese. Perseguidos,  porque trabalham por um tempo além do presente, aparentemente derrotados, no âmbito das convenções humanas, transformam-se em pioneiros de uma história que mais tarde será reconhecida e reescrita enquanto os vencedores de momento, perseguidores, tem seus nomes convertidos em algozes, juízes venais, governantes retrógrados, enfim, os que não sabem o que fazer com as oportunidades de real progresso humanitário.
Negar um ideal é assinalar o seu valor. Dizê-lo utópico, insano, impossível, é afirmar quão distante está quem assim procede. Persegui-lo é medir forças com o imponderável evoluir, este último com a vantagem do tempo e da força intrínseca que tudo que é superior carreia...
A recompensa entretanto supera qualquer expectativa se ela existisse. Para toda a gama de infortúnios, para a expulsão do mundo dos homens, o prêmio é o Reino dos Céus... para quem se fizer fiel servidor de Deus no mundo.

André Luiz Peixinho